Contextualização Visual

Diário de Bordo de Jowfish Kraken.
Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012.

No céu rosa avermelhado há um coração
branco, onde deveria estar o sol. Mais
embaixo, há algumas árvores com poucas
folhas em um terreno gramado e vermelho.
Tá bom, então, Capi. Como a gente pode fazer isso daí que você tá falando?
E do que eu tô falando?
Uai. Você tá falando do... você quer fazer... Ai, Capi! Eu não sei! Você não disse o que era!
Então como tu quer que eu te fale como fazer uma coisa que tu nem sabe que coisa que é?
Nossa... que confusão, Capi... Tá bom, então, vai. O que a gente tem que fazer pra biblioteca virar um lugar legal?
Uma palavrinha chave pra situação: Ambientação.

Ã? Uma biblioteca ao ar livre?
...................................................... isso foi uma brincadeira?
Ai, Capi! Como eu vou saber o que é Ambientação?
É só perguntar, uai!
É muito mais simples do que parece.
O pessoal desse mundão gigante SEMPRE foi muito VISUAL. Daí, por exemplo, as criança prefere história com imagens para se sentir mais à vontade com o que eles tão lendo, sacomé?
Ah, então eu tenho que escrever histórias com muitas imagens?
NÃO!
Ai, que susto, Capi! Tonto!
Isso é o mais difícil, na verdade.
Tá, então o que você quis dizer com isso?
Oras bolas.
Você tem uma biblioteca, certo? Na escola, ou pública mesmo.
Tá.
Separe os livros por temas ou gêneros
Tipo terror, amor, detetive, comédia...
Isso.
O céu laranja marca um pôr de sol, ao fundo,
encontrando-se com o mar. Em primeiro plano, e
tapando o sol, está um coqueiro deitado, com um
casal sentado em seu tronco em uma performance
para se darem um beijo. 
Por que não por autor?
Porque você vai pegar cada uma dessas seções e vai fazer um Halloween INFINITO nelas.
Como assim?
Por exemplo:
A Seção de TERROR e SUSPENSE é mais escura, com bonecos ou figuras meio assustadoras, pode ter um som de chuva e trovões de fundo e tal.
Pode ficar também em uma sala extra, ficando totalmente escura e quem for pegar os livros têm que entrar com uma lanterna, por exemplo...
Ai, Capi... amei litros!!!
Amou li...............................dexa quieto, vai... continuando...
Na de amor pode ter umas imagens de casais abraçados, luzes um pouco mais avermelhadas, glitter, blablabla, blablabla...
Ai que lindo, Capi!!! Eu não sabia que você tinha esse lado romântico.
[ignora] E assim vai em todas as seções.
Mas eu não entendi qual é o sentido disso, Capi.
Ôxe... é muito simples! Préstenção:
Os guri de hoje fica numa “distância BEEEEM segura” dos livro por um motivo muito óbvio: Literatura é Sagrada.
O que isso quer dizer?
Que é melhor não tocar, não ver, não cheirar nem se aproximar.
Imagem feita pelo artista Joshua Hoffine. Nela, uma
menina, com pijama branco cheio de flores rosas, e
segurando um ursinho de pelúcia, assiste TV,
sentada em um sofá vermelho de onde, atrás, surgem
dois braços indo na direção da garota.
Fala sério, Capi! Para de brincar!
Mas é verdade, pombas!
A Literatura sendo sagrada, quer dizer que aquilo lá tá LOOOONGE da realidade deles E deles também.
Então pra que ler, se nunca vão fazer parte daquilo?
Hum... entendi.
A partir do momento em que há essa... como posso dizer... “CONTEXTUALIZAÇÃO VISUAL”, a gente acaba trazendo essas histórias pro cotidiano deles.
Com a chuva, o medo do escuro, o calor do abraço, os risos...
Isso! E também acaba fazendo com que eles vejam que ELES TAMBÉM são parte daquilo.
Com que vejam que eles podem passar pelas mesmas coisas que os personagens, se identificam com eles, e acabam percebendo que podem inclusive ESCREVER suas histórias, ou as de alguém, ou inventar... falar de alguém e dizer que é ficção, porque não?
HAHAHAHAHA Que nem nas novelas: “Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência” HAHAHAHAHA
Exatamente!!!
Isso tira a sacralização da Literatura e cria novos leitores e, por consequência, novos escritores.
Sem falar que isso vai atrair mais os alunos à biblioteca, independente de qual, porque pensa... quando ele ler um livro de suspense... com o som de chuva e trovões... cercado por um lugar enigmático e meio escuro... vai dar uma visão COMPLETAMENTE diferente de todos os outros livros.
Além disso, isso acaba por fazer com que os que dizem “não conseguir imaginar as cenas”, comecem a fazê-lo inconscientemente, pois ele ESTÁ na cena da leitura.
Sem que ele perceba, o ambiente em que ele se encontra “começará a se mexer”, vai ganhar vida e ele vai ficar a toda hora olhando para os lados... e possivelmente sairá achando que aquela biblioteca é assombrada.
Imagem feita pelo artista Joshua Hoffine. Nela, há a
imagem de uma garota descendo as escadas de um
porão, sendo iluminada apenas pelas costas, pela luz
vinda da cozinha, provavelmente. Os degraus são
avulsos, mostrando o que tem entre eles e, lá no fim
da escada, vemos a cabeça de um monstro sorrindo
esperando pela garota.
Que nem quando a gente assiste um filme de terror de noite em casa!!!
Essa seção do terror também pode ser útil para o amadurecimento dos pequenos. No começo, eles podem não querer entrar na seção, com medo do que tem lá, mas quando decidirem entrar e conseguirem pegar um livro e ler, vão começar a ver que aquele medo que ele tinha, de repente, não era TÃÃÃÃO assustador assim. E pode começar a incentivar outros que tenham o mesmo medo que ele.
Nossa, Capi!!! Amei a ideia!!! Vou mostrar isso pro diretor da minha escola JÁ!!!
Essa é a grande falta da educação literária aqui no Brasil, se quer saber.
No mundo também, Capi.
A CONTEXTUALIZAÇÃO VISUAL, ou a AMBIENTAÇÃO das bibliotecas são de uma força infinita na presença dos jovens.
O limite dessa força é o limite da criatividade de quem as contextualizará.
E como a gente faz isso, Capi? Parece ser caro.
Na verdade, não. Algumas coisas são muito fáceis de fazer. Algumas são mais carinhas, sim, mas muita coisa cara não é realmente necessária.
A gente vai precisar mais de imaginação do que de verba.
E como a gente faz isso, Capi?
Na próxima eu falo, que esse daqui já ficou grande...
Você só tá me enrolando, Capi...
Só lembrando que uma boa contextualização atrairá as crianças e jovens do Brasil.
Mas uma excelente contextualização será exemplo mundial.

Lívia ~* disse...

Concordo completamente!
As crianças se envolveriam mais com os livros se as bibliotecas fossem desse jeito... seria muito mais interessante.
Mas nem sempre o problema é a falta de interesse. Em cidades pequenas também tem o problema de não existir bibliotecas, assim ninguém tem contato com os livros.
E as pessoas sem recurso para comprar, perdem momentos maravilhosos e importantes ao lado de um livro... É uma pena =/

OPL disse...

Ter uma biblioteca na cidade é lei. É responsabilidade do Governo.

Se não existe bibliotecas na cidade, é falta do Governo da cidade/estado/Estado e pode receber uma multa até que bonitinha...

Mas quem vai [entenda: quem quer ir] atrás disso, né?