Não me diga...?

Quem gosta de ler?

Diário de bordo de Jowfish.
Quinta-feira, 07 de outubro de 2010.

Bem... Voltamos até aquele povoado da semana passada. A mudança era espantosa.
As casas foram pintadas. Cada uma de uma cor [algumas com mais de uma]. Novas moradias estavam sendo construídas. Novos cortes de cabelo surgiram. Novas visões de moda [pelo menos achavam que era]. Até contato com o mundo virtual eles criaram. Lembram do amigão Orkut? Agora parece que surgiu um tipo de parente, sei lá... Um tal de Messenger.
Tudo mudado...
Ou melhor, quase tudo.
O chão ainda continuava o mesmo. A praça ainda continuava a mesma. Os postes ainda continuavam os mesmos. As placas ainda continuavam as mesmas.
Fo aí que descobri qual era o problema [não cheguei à posição de capitão cortando batatas... Não cortando batatas...].
Juntei todo mundo na praça de novo... E distribuí dois pedaços de pergaminho para cada um.
Nunca vi tanta gente olhando pra mesma coisa, fechada, por tanto tempo.
Até que um deles perguntou:
“O que fazemos com isso?”
Lê, oras bolas!
“LER?!” ouvi vários dizendo baixo, olhando para os outros.
Qual o problema em ler um pouco?
“O problema é que não gostamos de ler.”
Pronto! Era o que eu estava esperando ouvir.
Esse é o grande problema das pessoas dessa era. Vivem dizendo “Não gosto de ler. Fico com sono. Fico com blá blá blá.”
Então, como todo bom discursador [esperando que essa palavra exista], puxei meu comunicador interplanetário, e chamei o querido Orkut.
Perguntei pro rapaz como funcionava a tal rede social que ele criou.
E ele respondeu que uma pessoa mandava mensagens para a outra.
Que tipo de mensagem?
“Escrita”, disse ele.
Ora, vejam só... Que interessante!
Agradeci a visita e o esclarecimento e ele foi continuar seus afazeres.
“Então vocês conseguiram escrever um pouco, hein?!”
Eles concordaram, sorrindo.
Comecei a perguntar quanto tempo cada um passava entretido com o Orkut ou o Messenger.
Uma média de duas a cinco horas diárias.
“Não me digam... E vocês escrevem pra bastante gente?”
“Sim, sim.”
“E recebem respostas também?”
“Sim, sim.”
“E vocês as leem?”
“Sim, s...” todos ficaram sem reação... Olhando de um para o outro.
E ainda tiveram coragem de dizer que não gostavam de ler... Acredita nisso?
“Mas aí não vale.”, disse um deles “A gente não percebe que tá lendo lá.”
Mais essa agora!
Leitura é leitura não importa onde nem como. A pessoa lê o que gosta. Não o que obrigam. Aliás, é esse o problema em MUITOS lugares que deveriam DESPERTAR o interesse na leitura. Não DESTRUÍ-LO.
Pedir leitura de tesouros para fazer prova... Independente do nível... Faz com que toda a alegria de ler algo com prazer seja triturada pelo Tubarão Cocão.
Todos gostam de ler. Quem não sabe, está começando a aprender depois de crescido.
A questão que deveria passar pela cabecinha linda dessas pessoas, é “o que eu gosto de ler?”
É isso que vamos descobrir...
Semana que vem.

Natália disse...

eu gosto, eu gosto \o\

quadrinize disse...

"A praça ainda continuava a mesma"

A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim ♫

huahua

Interessante essa afirmação de que todos gostam de ler. Isso me lembra um web conto que li esses dias. O ultimo capitulo até agora tem uma linguagem "twitesca". Pelo visto, é o tipo de coisa que muita gente gosta de ler. Confere aí: http://psychopris.blogspot.com/

Mey disse...

Uma boa forma de fazer as pessoas perceberem que estão fazendo o uso da leitura.

Mey disse...

Só pra lembrar: a gente lê até as pessoas...