Não me diga...?

Narração e Fofoquilha


Diário de Bordo de Jowfish.
Quinta-feira, 23 de setembro de 2010.

Semana passada, nesse mesmo dia, descobri que a Narração não é o monstro que os habitantes desse mundo pensam que é. É só um cachorrinho assustado perto do fogo. O que as pessoas veem é a sombra do cachorro na parede da caverna...
Hoje, foi mais ou menos sem querer que fomos cair naquela imensa ilha: a Fofoquilha.
Capitã Barbatanna diz que sempre soube da existência dela e que era pra lá que estava me guiando... Capitã Schadenfreude disse que as capitãs tem um guia próprio com o qual conseguem encontrar qualquer coisa em qualquer lugar...
Ainda acho que estão com medo dessa nova ilha que não aparece no mapa estelar.
Esse pessoal de Fofoquilha é um tanto quanto ousado... E estranho.
Ninguém pára de falar! Sobre tudo com todos... Como podem ter TANTO assunto?!
Ainda bem que sou pirata... Só a Capitã Barbatanna que, às vezes, se rompe em falar e fazer perguntas... Como todo bom aprendiz. Já a Capitã Schadenfreude é mais quieta e reservada...
Mas o mais intrigante não é o fato deles tagarelar sem respirar, é um pilar IMENSO no meio da ilha.
Conforme as pessoas vão falando, seus ditos vão sendo grafados naquele monumento. E nada, nesse mundo, o faz parar.
Vasculhando entre os fofoquilhianos, cheguei até um jovem garoto. Não parecia ter mais de 14 anos. Perguntei como eles não tinham medo da Narração, como todo o mundo. E ele respondeu:
“Narração?! E por que devia? Aquele cachorrinho lindo nasceu aqui nesta ilha há muito tempo.”
Claro que não entendi de primeira e perguntei o que queria dizer.
“O mundo é movido pela fofoca, Capitão Jowfish. E isso é uma coisa que TODOS contam e SEMPRE contaram. Sem exceções. Muito antes das músicas, das letras e dos símbolos escritos, já existia a fofoca. Já existia essa ilha.”
Desconfiado, perguntei o que era o curioso monumento do centro da ilha.
“Ah! O que está escrito lá, são as histórias contadas por cada ser vivo nesse mundo. Nós não apenas falamos, mas também escrevemos.”
Ainda não convencido, perguntei como eles tinham tanta facilidade em escrever.
“Você não me entendeu. Não são apenas as pessoas dessa ilha que escreve, jovem capitão (eu sou o jovem aqui?!), TODOS no mundo escrevem, apenas não sabem disso.”
Cansei de tentar entender aquele garoto, então fui andar um pouco... Mas acabei tendo de voltar.
Perguntei, então, como eles fazem para escrever sem medo, enquanto todos os outros acham que o cachorro é um gigante de várias cabeças.
“Quero que me faça uma coisa, Capitão. Quero que, quando acordar amanhã, comece a dizer a si mesmo o que está fazendo. Como, por exemplo: ‘Estou tentando convencer um pirata muito curioso sobre a facilidade da narração. Agora ele me olhou feio, pensando como sou insolente.’ Assim. Bem simples. Faça isso a manhã inteira.”
E assim foi. Acordei e narrei pra mim mesmo o que acontecia (Barbatanna e Schadenfreude quase me prenderam por achar que eu estava louco). Ao voltar a encontrar o garoto, ele começou.
“Não quero, nem preciso saber o que você fez hoje. Não é de meu interesse (se ele não estivesse me ensinando esse truque e me dando esse tesouro, já o tinha levado para a boca do Kraken). Mas, narrando, você descobriu, de uma forma até engraçada, a sua forma de Narrar uma história. Agora, você fará o seguinte: Quero que escreva algo MARCANTE que tenha acontecido com você.
“Não precisa ser grande. Um parágrafo, algumas linhas já é o suficiente. Como o que você fez quando contou como foi seu dia, só que, ao invés de falar, vai escrever.
“Também não precisa ser verdade. Pode contar sobre algo, dizendo como você acha que deveria ter acontecido.”
Que as Capitãs não descubram, mas escrevi sobre elas...
E foi mais fácil do que imaginei...

Larissa Vicentini. disse...

XD Isso realmente funciona. Fica mais fácil de imaginar, mais palpável.
Das fofocas, se todos as transformassem em escrita mesmo, seriam muito mais válidas.

Bjaum.
P.S: Mas eu tenho medo de cachorros.

Lii disse...

Eu não entendo porque as pessoas tem tanto medo da narração... eu acho tão divertido...
Para mim, é o estilo de escrita mais fácil e o melhor.

Até o próximo encontro Capitão!

Mey disse...

Pra algumas pessoas talvez falte o estímulo, algo ou alguém que incentive.

OPL disse...

Com certeza.

Motivação é fundamental pra qualquer coisa. Sem ela, ninguém faz coisa alguma!

P-)