Por quê?

Diário de bordo de Jowfish.
Sábado, 14 de maio de 2011.
“Essa é a pergunta certa.”
- Certíssima.
Certo  o quê?
“A pergunta, Capitão.”
Que pergunta?
-Ai, Capi! Deixa de ser lerdo!
QUE FOI QUE DISSE?!
“E he he... não liga não, capitão... continua... a pergunta do título...”
Á, sim! O Por quê... porquê do quê?
“Por que as pessoas não gostam de ler?”
Á, tá! Issé muito fácil... ou não... HAHAHAHAHAHAHA
- Ai, Capi... que enrolação... fala tudo de uma vez, poxa... quer matar a gente de curiosidade?
Nossa... como essa Marujada tá agressiva hoje... tá loco...
Bom... primeiro de tudo: pouca gente gosta do que num conhece.
- É, isso é verdade... daí surge o preconceito, né?
“É. A gente até já falou disso.”
Uhum. Então... pouca gente sabe o que é leitura, daí fica complicado de entender e gostar.
“Mas isso não aprende na escola?”
HAHAHA... se aprendesse, tava bom... só que tem muito professor que tamém num sabe o que é.
- Ai, ai, ai... Pera, Capi... Se o professor não sabe... o que ele passa?!
Num é que num sabe... a maioria conhece só um dos vários tipos de leitura... daí passa um tipo só... e acaba quebrando todo o esquema da coisa...
“Não entendi.”
Ninguém gosta de fazer as coisa obrigado. Gosta?
- Eu não.
“Nem eu.”
Pois então. Mas é justamente isso que fazem na escola.
- Mas, Capi... se eles não obrigarem, ninguém vai ler.
Eles não precisariam obrigar, se aprendessem a despertar a curiosidade dos pimpolhos.
“E como fariam isso?”
Primêro de tudo parando com a ridícula mania de fazer o marujinho ler coisa pra fazer prova.
- Nooooooossaaaa... eu odiava issoooooooo!!!!
É claro!!! E geralmente é alguma coisa que a gente não vai entender.
“Ou pelo menos não vamos ver nele o que o professor quer que a gente veja.”
Exatamente.
Daí a gente começa a pensar que a gente é burro, porque não consegue entender aquilo lá...
E a gente começa a não gostar mais daquilo que tamo lendo...
- Por que ninguém gosta de ser chamado de burro...
“E ainda junta isso com o fato de ser obrigado a ler!”
Pois é! Tu é obrigado a ler uma coisa pra ser chamado de burro...
- Poxa... é verdade... não tinha pensado nisso...
“Quem vai gostar de ler com uma coisa dessas?!”
Pois é...
- Mas, Capi... Peraí... Como a gente faz pra mudar isso?
Bom... primêro a gente tem que saber o qué leitura...
- Certo! Já trouxe a pipoca...
“Xi, Marujo... tu inda não conhece o capitão...”
- Não?! Por quê?!
Por que issé assunto pra outra conversa...

Angélica disse...

Olá capitão! Concordo com você sobre esse negócio da escola "traumatizar" leitores em potencial com seus livros obrigatórios para provas. Tá, você até pode ter provas sobre literatura, mas acho que, para instigar uma pessoa a ler, você deve começar com livros que despertem a sua curiosidade. Por exemplo, quando eu estava na quinta série (que agora é a sexta, se eu não me engano) jogaram uma série de clássicos da literatura brasileira para eu ler. Literatura com temas dramáticos e complexos, e pior, de época. Como a escola espera que uma criança que ainda está sendo alfabetizada, e não desenvolveu o hábito da leitura, vá gostar de uma coisa dessas? O resultado disso é que eu peguei uma birra tão grande da literatura "clássica" brasileira, que só fui dar uma segunda chance à ela quando já estava na faculdade. E digo mais: só não peguei raiva dos livros em geral porque por sorte fui estimulada a ler desde pequena, e meus pais sempre me davam livros de aventura e fantasia, dos quais eu gostava muito. Acho que a escola deveria dar os livros para o leitor de acordo com sua idade, conhecimento e amadurecimento. Porque não começar com leituras mais leves na quinta série, e deixar os clássicos mais para o fim do colegial, quando já acumulamos mais conhecimento e estamos um pouco mais maduros? Há ainda muitas questões que podem ser discutidas dentro desse tema (o "desprezo" que as escolas demonstram em relações a livros que não fazem parte da alta literatura ao invés de utilizá-los ao seu favor, o modo de se dar aulas de literatura e incentivar os alunos a lerem, etc), mas pode ter certeza de uma coisa: Se o sistema educacional soubesse trabalhar melhor a leitura nestes primeiros anos de escola, teríamos muito mais leitores do que pessoas que dizem que "não gostam de ler".

Mey disse...

O texto é ótimo Capi! Concordo com tudo que foi dito. A sociedade evolui, mas a escola não, e o que se refere ao professor obrigar o aluno a ler é discutível, pois muitas vezes até deseja oferecer outros estilos literários, porém o professor também se vê obrigado a cumprir um currículo,que já vem determinando qual tipo de literatura deve ser aplicado a cada ano, ficando a sensação de frustração pela falta de liberdade de escolha. Professores atuantes e modernos deveriam ser convocados para fazer a construção de um currículo onde atenda as exigências desses novos alunos. Também há um fator de grande importância, que a maruja Angélica bem colocou,que é o estímulo. Não basta só a escola oferecer livros atraentes e instigantes, se os professores e pais não forem leitores, se não gostarem de ler.

OPL disse...

Angélica e Mey:

Excelentes visões!
Me deu até uma ideia de tema pra tratar na semana que vem...

Eu mesmo comecei a gostar de ler na 4ª série [5º ano], quando li um livro chamado "O Agente Esse Creto na Selva".

Um TESOURO EXCELENTE, aliás.

E vou confessar que não li NENHUM livro clássico que mandaram ler pra vestibular. N-E-N-H-U-M!!!
Aliás... Acredito que um livro só é clássico quando se comunica com os todos os leitores que vêm durante e depois deles. TODOS!

Da parte do professor, é fato. Hoje existe uma "apostila-manual" onde traz tudo o que um professor deve passar e falar e como responder a possíveis perguntas... para CADA AULA!!!

Onde entra a autonomia do Professor?! Onde entra a CAPACIDADE DE ORGANIZAÇÃO do Professor?!
O professor é um incompetente?! Se sim, por que tá dando aula?!

E até mesmo esse manual pode ser deixado de lado, se o professor tiver vontade e gostar do que faz... E daí começa a programar suas próprias aulas.