Corte e Costura

Sinto uma presença

Diário de Bordo de Jowfish.
Terça-feira, 9 de novembro de 2010.
  
Como é estranho andar por um lugar com a sensação de estar sendo observado.
Já aconteceu com você?
Aquela coceirinha atrás da orelha... O clima começando a pesar... Sabe?
Pois então. É assim que fiquei o tempo todo nas Águas Macabras [aquele pedaço de terra do lado da montanha Mamalah-Zumalah-Hamalah-Ha].
Passando por ali, ouvi uma cantoria ao longe, chamando pra irmos todos pra lá...
No começo achei que era uma sereia querendo me hipnotizar [como se fosse conseguir enganar esse capitão aqui], mas logo vi que não era. A voz dizia:
“A Charada Novíssima, também chamada Tiburciana, foi inventada pelo oficial brasileiro Antônio Tibúrcio de Souza, em Tuiuti, durante a Guerra do Paraguai. É sem dúvida de sua autoria a seguinte: ‘AVISTEI uma RÃ de sentinela. Uma e duas.
“Os números correspondem ao número de sílabas. Avistei, com uma sílaba: vi. Rã, com duas sílabas: jia. Jia soa como gia. A resposta, portanto, é vigia, ou seja, sentinela.”
Uma charada original brasileira?!
Ancorei. Claro!
Lá, durante o tempo TODO, essa voz foi nos guiando... E ADIVINHANDO nossos movimentos! Mesmo sem ver NADA do que fazíamos, dizia o que fazíamos, conversando com a gente e contando sua história cheia de charadas...
Acho que fiquei com mais medo do fato da mulher poder prever os movimentos de quem passa por ali, do que da história real... Se bem que a história também...
Mas enfim. No fim, deixamos o lugar com a sensação de ainda estarmos sendo observados, mas levamos um bilhete encontrado pelo caminho, dizendo:
“Quando quiserem voltar, lembrem-se desse nome: ‘Charadas Macabras’. Acho que já entenderam o porquê do nome. Ass.: Angela Lago.”
Tô pensando em voltar pra lá com um exorcista... Tá louco, sô! Coisa do Tinhoso...