Não me diga...?

Narração, o Bardear


Quinta-feira, 16 de setembro de 2010.

Ao falarmos a palavra “narração”, quantos aqui se lembram das noites, com a mãe ou o pai contando uma historinha para você dormir? Ou quem se lembra de livros que leu e nunca mais esquecerá, seja por ser bom, ou horripilantemente ruim?
Muitos acham que uma narração é uma história narrada em um livro de ficção, como Harry Potter, Eragon, A menina que roubava livros etc.
“Ué”, diz você, “mas não é?!”
Claro que é! Mas não SÓ isso.
Essa forma de pensamento é o que faz com que a Narração seja o patinho feio entre suas irmãs: as gêmeas Dissertação e Carta.
Então o que é uma Narração?
A Narração é como a arte de Bardear.
Não, não entenderam errado [se é que entenderam]: eu disse Bardear, mesmo.
Quem joga RPG (Role Playing Game (Jogo de Interpretação de Papéis, aos mais íntimos)) já deve ter entendido o que isso quer dizer. Quantos daqui já ouviram falar, ou se encontrou com um Bardo?
Primeiramente: O que raios é um Bardo?
Um Bardo é um homem que tinha como missão a passagem de histórias para os outros. Então, não raramente, havia rodas de pessoas em volta de uma fogueira, ouvindo um homem falando e/ou tocando algum instrumento, geralmente de cordas.
Um Bardo era tão querido numa sociedade que, por vezes, reis os contratavam para uma narração durante uma festa, ou um jantar.
Logo, bardear seria o ato de contar uma história, como os bardos faziam há tanto tempo, e continuaram após serem chamados de trovadores...
Mas qual a sua importância?
Imaginem os contos de fadas que conhecem. Tentem se lembrar das canções de ninar que cantavam para vocês quando eram pequenos. E as lendas e mitos? Consegue se lembrar de todas?
Se não, o que você esqueceu ou não ouviu corre o risco de se perder para sempre... É esse o trabalho da narração. Fazer com que nada seja esquecido da memória do mundo (porque o drama faz parte de qualquer discurso pirata).
Afinal, como as histórias de heróis, deuses e monstros eram passadas entre as gerações antes de serem grafadas em um papel, madeira, pele, parede etc.?
Pela oralidade... Pela Narração.
Então, agora que se lembrou de algumas das milhares, ou até milhões de histórias que ouviu desde criança, acredito que tenham percebido que algumas delas influenciaram o rumo de sua vida.
Como você seria, então, sem a narração desses pequenos contos?
Agora, tenho uma pergunta para vocês: Qual o jeito mais fácil para se encontrar uma narração?
Uma livraria? Biblioteca? Banca? Internet?
Muito bem! Em nenhuma delas!
Lembram que, no começo, eu disse que achar que a narração só se encontrava nos livros era um erro?
Pois então: Você! Como foi seu dia hoje? Isso, o que você fez hoje? Acordou e foi ao banheiro? O que fez? E depois? O que aconteceu para chegar até onde você está agora?
São perguntas fáceis de responder, não são? Esse é um exemplo prático de um bardo em ação. Uma narração simples da ação de um ser num certo período.
Viu como narrar não é algo difícil de fazer? O problema é que já colocaram na cabeça dos alunos que escrever é complicado, imaginação não existe e hoje, nada se cria, apenas se mexe no que já está feito.
Isso, com todo o respeito aos outros, é conversa de pirata frustrado que perdeu seu tesouro ao velho Jack.
Acabei de mostrar que uma narração é algo simples de formar. Agora, tudo o que precisamos fazer é treinar.
Ainda não acredita que é capaz de escrever uma narrativa?
Então não perca o “Não me diga...?” da próxima quinta.

Mey disse...

Cada um de nós é um contador de histórias. Basta abrir a mente... e a boca, é claro...

OPL disse...

nem sempre a boca....podem ser as mãos também...ou o corpo....